segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A falta que a falta faz

Fui pra faculdade hoje e como sempre voltei extremamente pensativa. Só pra constar, este post será um exercício reflexivo sem lineariedade (ou lógica talvez). Não sei se o pensamento de vocês funciona assim, mas o meu as vezes é mais rápido e agloba mais assuntos do que o raciocínio consegue acompanhar. De vez em quando me dá umas baixo-estimas (existe essa palavra no plural?) de me achar burra, porque por mais que eu seja um ser que pensa bastante, graças a essa disconexão com meu racicínio eu nunca utilizo isso de maneira útil, pois um texto englobando tanto assunto junto assim ficaria livro e uma conversa ficaria muito confusa, então acabo apenas refletindo comigo mesma e esquecendo tudo a medida que o próximo assunto chega. Hoje eu vi que eu realmente não sou inteligente o suficiente. Já me falta a falta de proveito dos pensamentos, hoje eu vi que eu não tenho uma sensibilidade útil. Na volta da faculdade eu vi um morador de rua agachar e beber agua do meio fio. Não é um absurdo viver um mundo que uma pessoa volte de uma faculdade cara, a caminho de sua Moradia passar por uma pessoa que nem ao menos água tem e não se sensibilizar? Pois é, eu não me sensibilizei. Como eu posso produzir um bom filme se nem ao menos sensibilidade a essa injustiça escancarada eu tive. Tenho certeza de que se aquilo fosse cena de um filme (com uma trilha apropriada) eu estaria me descabelando de chorar, mas é claro, o filme sempre mostra traços em comum entre nós e a personagem principal, e é muito mais fácil ser egoísta sem saber que estamos o sendo. Foi aí que mais uma vez eu me enquadrei na medíocridade da vida.
Nessas horas eu sempre penso na minha idade, tudo é fácil quando se é jovem como eu, pois existe esperança de tudo, a faculdade pode me tornar mais inteligente, mais sensível, eu aidna tenho tempo para isso. Mas e quando eu for velha, e não existir mais a esperança, só o conformismo com a medíocridade da minha, e de várias outras vidas. Viverei apenas uma ilusão de felicidade, sem esperança nenhuma?
Várias pessoas inteligentes fizeram a diferença pro mundo, mas mais na parte prática (medicina, biologia, tecnologia) e para a parte prática de nossas vidas. Será que para a parte sensível e intelectual de nossas vidas, a opinião dos outros realmente importa. Sua vida já realmente mudou por causa de um livro, de uma crônica, de um filme? Eu sou uma apaixonada por literatura e cinema e vários livros e filmes, principalmente, já me fizeram pensar bastante mas nunca mudaram em nada a minha vida ou a vida da sociedade ao meu redor. Porque ninguém realmente compreende o outro, de verdade, as pessoas apenas se projetam naquilo, "pegam" para si a parte em que se identificam, o resto é lixo humano... Depois de um tempo até mesmo o que elas se identificaram também vira lixo humano. Sempre achei que pessoas felizes são aquelas que não sabem que são medíocres. Mas o Guimarães Rosa, o Machado de Assis, o Arnaldo Jabor (ou sei lá, peguem qualquer exemplo de formadores de opiniões que vocês quiserem), eles já mudaram a sociedade? Eles já mudaram você? Eles parecem felizes?
Eles não parecem felizes para mim e eut enho a impressão que seja porque eles se tocaram que pensam tanto, e se angustiam tanto, mas tanto para chegar a conclusões, e acabam fazendo uma diferença quase que insignificante. Não sei se estou sendo pessimista, mas... O que é melhor, desenvolver um intelecto, uma sensibilidade e se angustiar para achar suas próprias respostas, ou esquecer disso tudo e ser feliz? Respondam vocês, porque eu não sei responder minha própria pergunta.

(Mas caso vocês queiram ter certeza de que eu estou errada ou certa, se esse texto fez vocês refletirem de alguma maneira, anotem na agenda se vocês ainda lembram dele daqui há um ano, e se eles fez alguma diferença)



Post dedicado a minha irmã Bianca que pediu pra eu escrever uma carta pra ela e ao invés disso eu vim postar...Tenho certeza que ela irã entender.

2 comentários:

M. Ulisses Adirt disse...

O seu texto me lembrou um pouco a "História de um Brâmane", do Voltaire. Se vc não conhece, talvez valha a pena...

bianca disse...

Adorei sim minha querida e acho que vc está muito certa... mas tbm sei outra coisa... Vc é especial, uma mulher que acredita em seus ideais e isso me deixa cada vez mais orgulhosa de vc.


Um beijo grande em seu coração =o)

E lembre-se sempre te amo!!!

beijos Bia