terça-feira, 29 de maio de 2007

Sobre o amor e a saudade

Quando eu tinha 15 anos eu era apaixonada por um menino da minha rua, foi a primeira vez que eu amei de verdade sabe?Eu já tinha me apaixonado antes, mas amado, nunca...
Da data que eu me apaixonei por ele até a data que aconteceu o primeiro beijo passaram-se meses e meses, dolorosos meses, todo dia eu só pensava em chegar a noite pra chegar naquela rua, toda vez que eu tava perto dele eu só pensava que eu não queria que ele fosse embora nunca, pq só a sensação de estar perto dele me fazia bem... Eu deixei passar algumas vezes a oportunidade de ficar com ele, por medo, e eu chorava tanto quando isso aconteceu, doía tanto.
Do momento que ele disse que queria ficar comigo até de fato acontecer levaram umas 4 ou 5 horas, e foram as mais longas da minha vida, e o engraçado é que até hoje eu lembro o exato ritmo que meu coração batia naquele dia. O nosso "relacionamento" depois disso era muito conturbado, a confusão dos 15 anos destrói muita coisa, principalmente os relacionamentos, nós nos viamos pouco e eu corria desesperada atrás dele, ia até a casa dele na chuva, ligava desesperada, mas eu acho que era sempre pra cobrar algo e nunca pra dizer "eu te amo, eu senti a sua falta", acho que as pessoas as vezes tem medo de dizer eu te amo pra não banalizar o amor, mas eu acho que o amor nunca será banalizado, amor foi feito pra se dar de graça, fácil, sofrido, sem motivo, o nível da banalidade ou da importância está no brilho dos olhos e 3 palavras nenhuma irão estragar isso...
Nossa história foi cheia de idas e vindas, quando eu me mudei pra Curitiba a gente passou a minha ultima noite inteira juntos naquela rua cheia de lembranças, quando eu dei as costas pra ir embora e saí andando eu pensei tanto o quanto eu queria que ele viesse atrás de mim, e nisso ele me cutucou pelas costas e me deu o ultimo beijo, parece brega, de novela, mas sabe quando vc qr muito que uma daquelas coisas que nuncaaa acontecem aconteça, e ela acontece??Eu nunca me esqueci daquela cena. Em Curitiba eu passei 7 meses pensando nele todos os dias, eu escrevia cartas que não mandava, chorava e ficava pensando nele enquanto olhava pra um presente que ele me deu que pode ser visto de qualquer lugar do mundo, eu não via a hora de visitar Santos e vê-lo... e via, e eu sempre queria poder levar aquilo comigo pra Curitiba...
Eu comecei a namorar naquele ano, em Curitiba, e pensei que isso ia acabar, e ficou meio distante mesmo, mas daí vieram as férias de verão (ah! o verão...rs) e eu passei as férias inteira perto dele, tentando me convencer de que eu não o amava mais, e ele também não queria que eu conseguisse, e no final das férias, ele venceu...Meu namoro acabou, mas dane-se, eu tinha o meu amor, e ele tava ali, dizendo que me amava também...Levou 2 semanas até que isso tudo acabasse mal por causa de um mau entendido infantil, acho que foi a vez que eu mais sofri nessa história toda, eu passava todas as madrugadas daquele fim de férias chorando desesperada, segurando o telefone sem coragem de ligar, eu ligava pra os nossos amigos e os envolvia na história, Passava a madrugada soluçando baixinho sentada na cozinha da casa da minha vó com o telefone na mão...Acho que eu desgastei todo o ápice daquele amor ali...
Eu voltei pra Curitiba, sofri por mais um tempo, mais com o tempo eu fui esquecendo, até que no meio daquele ano um outro amor (também grande, inesquecível, único, decisivo e mágico) me fez perder o amor por ele completamente.
Eu sempre achei (daquela época até hoje) que ele nunca sentiu por mim o amor que eu sentia por ele, o que ele amava era o ego dele, e o que ele queria era simplesmente não me perder, por isso o certo désdem quando me tinha no pé e o interesse quando não me tinha, mas eu não estou desmerecendo o que ele sentia não, eu acredito que essa amaciada no ego era amor pra ele (e se tudo é uma grande ilusão, pq não o amor ser tbm??), ele fez coisas maravilhosas por nós e pela minha memória( e eu sempre vou ser grata por ele por isso, e pela reciprocidade que isso teve por uma época), eu realmente acho que ele gostou de mim, quem sabe até amou mesmo, mas eu realmente não acho que ele sentiu o mesmo, não daquele jeito, acho que ele (nem ninguém talvez) iria entender o quão puro, sincero e profundo era o meu amor por ele, o meu amor por nós...
Essa história durou uns 2 anos...E hj é apenas uma lembrança, e hoje ele é apenas um amigo (e distante) que eu amei um dia...

Hoje meu humor está meio incerto, eu comecei a chorar há umas 2 horas atrás e só parei agora, chorar sem motivo, ou chorar por vários motivos talvez, chorar de saudade, pois todos falam que nós deveríamos deixar o passado pra trás e aproveitar o presente, eu só consigo fazer a segunda parte, o passado sempre vem me assombrar, eu sinto saudade de tudo, absolutamente tudo que já aconteceu na minha vida e acabou, minha cabeça não consegue terminar nada "numa boa"...

Senti saudade de muitas coisas hoje, mas essa história veio na minha cabeça, e não sei pq eu me aprofundei na saudade dela, eu até senti de verdade algumas dores que eu sentia na época. Percebem o quanto de dor tem nessa história?? Eu senti falta disso hoje, o meu amor podia doer muito, mas era meu e era de verdade, eu sinto falta desse amor puro, de sofrer por alguém assim, essa inocência que essa dor e esse amor (sinônimos que rimam) tinham sabe??

1ª conclusão: Não tenham medo de banalizar o amor,por incrível que pareça eu dou mais valor ao meu amor por ele hoje, que acabou, do que na época, eu pensava, "ele me faz de idiota, eu não posso amar ele" ou "eu sou nova, isso não deve ser amor", mas era, e dos grandes, amor acontece toda hora mesmo, e cada um é diferente, sentir um "amor pequeno" não desmerece um grande amor, não tenham vergonha de se entregar a ele, amor foi feito pra te fazer de ridículo, e isso é lindo, dessa história toda, a única coisa que eu me arrependo é de não ter me entregado mais, ter sido mais idiota, ter gastado tudo que podia dele, o que nos leva a 2ª conclusão: Não se arrependam do que passou pois tudo nessa vida vale a pena, o ódio, a dor, o amor ou a alegria, vai te servir no futuro ou vai ao menos te deixar saudade...Pq a única coisa que não dá saudade quando acaba, é o tédio...

é isso, esse post é muito importante pra mim, espero que mude a minha vida e toquem vocês de alguma maneira...

Música: Tal do amor - Jay Vaquer

7 comentários:

menino quadrado disse...

Se entregar ao amor é complicado. É complicado porque muitas vezes, quando você se entrega, a outra pessoa não se entrega. Aí vem aquela sensação de se sentir ridículo e tudo mais.
Mas acredito nessa coisa dos olhos, gestos e etc. É praticamente impossível esconder um amor (grande ou pequeno). Seus olhos dizem, seu jeito de falar diz, a maneira de sorrir diz. Sabe aquela famosa música "nobody knows it, but you got a secret smile, and you use it only for me"? Então. Por mais que não diga, eu sei.
Finalizando... se apaixonar é bom. Muito bom. Agora, amar é um estágio avançado que poucos alcançam. É como se fosse uma área VIP e altamente intelectualizada onde só os livres de preconceito e de tabus da sociedade conseguem entrar. Dizer "eu te amo" é difícil... mas o mais difícil é chegar a conclusão de que se ama. Ou pior... de que não se ama.
Costumo dizer que o amor é cego, não tem idade e nem sexo. Ou seja... é uma "coisa" tão complexa e abstrata que é muito fácil confundir com outros sentimentos.
Mas é importante dizer também que sabemos quando amamos e que não estamos mais simplesmente apaixonados...
Enfim... life is crazy e somos quem podemos ser.

Ironico tupiniquista disse...

Claps claps...

Legal que você disse muita coisa que eu acredito também, mas que às vezes me sinto sozinho por acreditar. Quase ninguém acredita no prazer da dor. Que ela é essencial na nossa vida assim como a felicidade. Quando nós fazemos aniversário, dizem: "toda a felicidade do mundo, que você seja muito feliz". Mas pô, eu quero toda a tristeza do mundo também. Quero sentir dor. Não falo isso pra pessoa na hora pra não ficar chato, e também porque ela não está me desejando toda a felicidade do mundo de verdade, está sendo apenas cordial. Mas enfim...tudo de mais intenso e puro que a vida possa nos oferecer.

menino quadrado disse...

Adorei seu comentário.
E acredito fielmente nessa questão de que o ser-humano tem o péssimo hábito de tentar classificar coisas inclassificáveis em palavras de 4 ou mais letras.
E aí a gente tenta se enquadrar nesses padrões e regras nos quais ninguém, NINGUÉM, consegue se enquadrar. E aí esquecemos quem realmente somos e esquecemos de viver sem se preocupar com fatores externos repreensivos.
Novamente... somos quem podemos ser. Acho que "querer" está um pouco além... deve ser também outro espaço VIP. Sei lá.

Quanto a dor, comentada pelo nosso amado irônico tupiniquista, concordo. E é da dor que surge a vontade de sair dela que, muitas vezes, é indestrutível. Levando a gente a realizar qualquer sonho ou qualquer vontade.

Bjos e bjos (acho que vou transformar esse comentário em outro post! huahuahua)

Anônimo disse...

Ahh menina.. teu post tá muito sincero e lindo.. eu aqui em Sampa, quase chorei (ai que vergonha.. eu to na sala de internet da faculdade e tem um monte de gente por perto).
E sabe duma coisa.. essa saudade aí eu tambem sinto e muito!! As vezes acho que nunca vou conseguir me apaixonar de novo e quem sabe até amar sei lá.. minha mãe me chama de insensivel, mas eu me chamo de calejada... é chato isso.
Saiba que voce mora no meu coração e quando der pra voce me ligar, me liga!
Teu blog já tá linkado no meu blog... sempre bom te ler! Beijo pra voce guria... amo voce um tantão já!

Unknown disse...

como EU poderia discordar???

quando vc sente a vontade de se entregar a uma pessoa ...oportunidade que verdadeiramente aparece "de vez em nunca"...( na verdade isso eh muito relativo,mas economizando discussão)... a melhor coisa ACREDITAR em si mesmo e se jogar, como num bungee jump, de cabeça...
sem receio de sair por baixo..... pq no final da história..... a pessoa que mais vai perder é aquela que te dispensou, pois, ela não encontrará tão cedo alguem que verdadeiramente ame ou goste dela....

Prometo que eu capricho no próximo, minha linda....

Bejus do Tonso

kátya disse...

Minha doce "garotinha",se eu já te admirava antes de ler teu post,mais ainda agora,que deixaste bem claro a sua grandeza,expondo com total transparência tua sensibilidade,sem receio de cair na banalidade.O amor, realmente, nos faz nobre e grande.Parabéns!Conhecemos muitos "cinquentões" que ainda não podem ter o prazer de dizer o mesmo que você pode.
Muitos beijos.
P.S.Perdoe-me pela invasão.

menino quadrado disse...

Cara... fiz um post inteiro pra você! Você não precisa estar nos favoritos!
rsrsrs